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Entrada ... o que vejo A Paixão de Cristo (2004)
A Paixão de Cristo (2004) PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por padretojo   
Quarta, 17 Março 2010 18:05

A Paixão de Cristo

Neste Tríduo Pascal não aguentei enquanto não revi o filme "A Paixão de Cristo" de Mel Gibson, à procura de um certo realismo do acontecimento que celebramos repetidamente em cada ano litúrgico. Desta vez (porque em cada vez que se vê se descobrem sempre novidades deste acontecimento sempre novo), a minha atenção relevou a presença dos seguintes elementos:

1. No final, a presença de dois "pódios": um em que Jesus Cristo vence, dando-Se, e outro em que o demónio desespera por não ter vencido. É de saliantar que no pódio de Cristo, há três cruzes, pois Ele não sofre sozinho; no outro pódio, mora a solidão. O primeiro pódio gera vida; o segundo a morte. Aquele transforma, este deforma.

2. Não podia deixar de sublinhar o olhar de Maria para o espectador do filme, em alguns momentos: o olhar na prisão de Jesus; o olhar, paralelo ao do inimigo, na flagelação e enquanto caminha com Cristo em direcção ao calvário; um olhar de compaixão, no calvário, quando contempla Cristo a "deitar-Se" e a ser pregado na cruz; o seu olhar de quando suporta Jesus morto nos seus braços. O olhar de Maria para nós, muitas vezes entrecruzado com o seu olhar para Cristo, parece declarar-se como olhar actual, nas mesmas circunstâncias em que o crente revive a paixão de Jesus.

3. É inevitável não reparar também no olhar sedutor de Satanás: no horto, na flagelação, no caminho para o calvário. É curioso que neste "pódio" ele não apareça, pois deverá estar a ocupar o seu, feito de solidão e derrota.

4. O parelelismo entre o processo da Paixão e alguns momentos significativos da vida e missão de Jesus, dos quais este acontecimento faz uma verdadeira síntese: a negação de Pedro e a sua promessa em seguir sempre Jesus para onde quer que ele vá, no momento da Sua condenação; a flagelação e o "lava-pés", em que Jesus compara o seu sofrimento aos dos seus discípulos odiados pelo mundo, convidando-os a ser humildes, a ervir e a não ter medo; o momento em que Maria Madalena ajuda Maria, Mãe de Jesus, a limpar o sangue do chão da flagelação com o momento em que estava para ser apredejada, perdoada por Jesus; o momento em que Pôncio Pilatos lava as mãos e a purificação das Suas mãos para a Ceia com os discípulos, declarando a sua inocência; uma das quedas na via-crucis e uma das suas quedas quando pequenino, ambas com a presença de Maria a confortá-Lo; o monte calvário e o monte das Bem-aventuranças, em que Jesus diz e pratica o amor aos inimigos; a chegada ao clavário e a sua apresentação como Bom Pastor, delcarando a sua entrega livre pelas suas ovelhas; e, sintetizando, a sua elevação na cruz, com a Última Ceia, em que nos entrega o pão como seu Corpo e o vinho como seu Sangue, expressão máxima do seu amor.

5. Por fim, o olhar de Cristo: para Judas, para Pedro, para um dos servos de Herodes, para Barrabás, na flagelação para Maria e para o inimigo, no "lava-pés", para a mulher adúltera, na coroação de espinhos, no pretório de Pilatos, para o Cireneu, para a Verónica, eunquanto carrega a cruz com a ajuda do Cireneu, no monte das Bem-aventuranças, para o Cireneu e Maria no Calvário, para o "bom ladrão", para João e sua Mãe, para o Pai, para a Luz. Umas vezes entrecruzado com o nosso olhar, outras vezes indirectamente, é um olhar expressivo que nos ajuda a perceber os sentimentos do Filho obediente ao Pai, servo da humanidade.

Actualizado em Segunda, 05 Abril 2010 14:11
 
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