| De figueiras estéreis a sarças ardentes |
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| Escrito por padretojo |
| Terça, 16 Março 2010 17:51 |
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O 3º domingo da Quaresma pôs diante dos nossos olhos duas imagens que, ao mesmo que facilitam a compreensão de um processo psico-espiritual, possivelmente também nos poderão ajudar a fazer um percurso espiritual. Trata-se da relação entre a "figueira estéril" da parábola de Jesus (cf. Lc 13,6-9) e a "sarça ardente" da experiência vocacional de Moisés (cf. Ex 3,1ss). Ambas as figuras nos ajudam a compreender a seguinte tríade que caracteriza o processo de "paixão" que caracteriza a conversão do crente: aceitação-responsabilidade-apelo. Esta tríade tem conexão com os três momentos pedagógicos: experiência do limite, activo assumir da realidade, superação e transformação. 1. A aceitação, com as suas referências profundas à humildade, à sinceridade, à verdade e à autenticidade, numa vida entendida como luta, muitas vezes é considerada como um pressuposto, uma condição de base para todo o itinerário de crescimento. Mas nem sempre é assim. Mais do que um dado, poderá ser uma conquista. E também poderá ser um dom. Um dom que só pode ser fruto da relação com o outro, já que a realidade de mistério comporta um altruísmo irreduzível. Esta relação com o outro, com o que está fora ou até dentro de mim, faz-me contemplar o limite ou limites. Esta experiência apresenta-se como negativa, um distúrbio, sofrimento, que, na lógica do crescimento, é um dado a aceitar passivamente, em primeiro lugar. 2. A responsabilidade deve ser a resposta activa àquela passividade. Esta é só um ponto de partida de um processo e não um refúgio.. Deve activar a afirmação de uma segurança e liberdade interiores. É sempre através de uma síntese, mais ou menos bem conseguida, entre aceitação e responsabilidade que chegamos à transformação; a primeira não entendida como pura aceitação e a segunda não só como pura e espontânea autoposição criativa. 3. O problema do negativo e do mal, deve ser inevitavelmente afrontado e integrado. Isto faz intervir o tema do chamamento, de um apelo, de uma vocação que justifica e dá sentido à presença do negativo, à falta ou limite, à renúncia. Por outro lado, sem uma certa segurança, uma certa plenitude ou esperança, não se pode conceber a aceitação do risco, do salto no escuro. E sem uma justificação, um significado para o confronto com o momento negativo e a sua assunção, é provável o refuto ou a negação. Como figueiras estéreis, aceitamos fazer a experiência do limite, deixando que o vinhateiro cave em volta do nosso ser, para que possamos acolher a água da rega; como sarças ardentes, integrando a consciência do limite que espera melhores dias, aproximamo-nos dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13ss) que, depois a experiência da morte do Mestre, cresceram em sabedoria à medida que caminhavam com Ele escondido, com o coração a arder, até viverem o momento de síntese na visão do partir do pão. Só a experiência sacramental de encontro com os outros, na comunidade, e com este Outro é que nos poderá ajudar a exceder as nossas próprias expectativas, superando-nos para os valores transcendentes. |
| Actualizado em Terça, 16 Março 2010 17:52 |
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